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Coretos da cidade do Rio foram criados para que as pessoas passassem o Carnaval perto de suas casas
Publicado em: 25-02-2025Inaugurados no final do século XIX e começo do XX, os coretos populares surgiram para apresentações de cantadores, poetas e bandas. Com o tempo viraram espaços para manifestações locais, políticas. Isso, eu estou falando no contexto do Brasil. No Rio de Janeiro teve uma peculiaridade e ela está ligada ao Carnaval.
“Visando estimular a população a brincar Carnaval sem se deslocar para pontos distantes, foram idealizados os coretos de bairros, montados em locais de grandes concentrações de foliões, para abrigar os músicos“, escreveu o pesquisador deCarnaval Hiram Araújo.
As festas locais animavam bairros inteiros e juntavam muitas pessoas em torno desses espaços. Prática ainda muito comum em cidades do interior e em alguns bairros do Rio.
Isso aconteceu no início do século XX, com a decadência das batalhas de confete e o crescimento de outras formas de brincar carnaval, como o corso (um tipo de agremiação carnavalesca) e os cordões.
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Foto 1: Coreto em Santa Cruz/Revista O Cruzeiro. Foto 2: Carnavais em Bangu/Museu de Bangu
“Tivemos coretos no Centro, na Zona Sul, e, principalmente, na Zona Norte e subúrbios, onde muitos ainda resistem até os dias de hoje”, publicou o site de pesquisa histórica Olhos de Ver.
O primeiro coreto instalado na cidade do Rio foi inaugurado em 21 de junho de 1903, na Praça XV. Dois famosos coretos suburbanos são os do Méier (de 1919) e o de Quintino, feito no ano 1917.
Muitos desses coretos desapareceram das praças. Para tentar revivê-los, a RIOTUR, desde 1972, promove concursos que dão prêmios aos mais bonitos e conservados.
Recentemente, também foi criado o projeto “Coretos, a História nas Ruas”, promovida pela Subprefeitura da Zona Norte e Secretaria de Cultura. A ideia consiste em aulas abertas sobre memórias ligadas aos bairros que ainda conservam esses espaços.
O Carnaval está aí. E alguns coretos também.